Mikael Azevedo

Sediada na Avenida Monteiro Lobato, nº 690, Macedo, próxima à rodovia Presidente Dutra, a antiga fábrica de Casimiras Adamastor, atualmente um centro educacional e cultural, foi à primeira indústria de grande porte da cidade de Guarulhos. A tecelagem foi responsável por produzir, segundo alguns relatos, um dos melhores tecidos vendidos no país. Além de estar na memória da população local, seu edifício é hoje o último importante documento arquitetônico do início do processo de industrialização do município.

Inaugurada em 1946 em um terreno que outrora fora uma chácara e em seguida uma fábrica de cerâmica, funcionou no mesmo local até a década de 1980. Após sua falência, o espaço foi alugado para um atacadista do ramo de estofados e, posteriormente, para uma pista de kart. No entanto, esse último empreendimento também encerrou suas atividades e o local permaneceu vazio por um longo período.

Todavia, em 26 de dezembro de 2000, pelo decreto nº 21443/2000, as suas antigas instalações foram tombadas como patrimônio histórico. No ano seguinte, pelo decreto nº 21.226/2001, foi realizado a desapropriação do edifício pela prefeitura com a finalidade de transformar o espaço num centro educacional.

A partir de 2003, sob a responsabilidade do arquiteto Ruy Othake, iniciou-se a restauração e a reestruturação do edifício. Da antiga fábrica foi mantida a estrutura geral do prédio e, principalmente, a chaminé de tijolos alta e imponente, que com seus 50 metros de altura é o símbolo do conjunto arquitetônico. Todo o projeto para transformá-lo no centro educacional foi pensado de uma forma que não descaracterizasse o imóvel e, consequentemente, alterasse a imagem histórica e afetiva guardada entre os habitantes de Guarulhos.

Adamastor, Centro Cultural, Chaminé, Guarulhos, Patrimônio Tombado

Ao fundo vemos a chaminé da Antiga Fábrica de Casimiras. Ano: 2015. Acervo: AAPAH/Bruno Leite de Carvalho.

Além da restauração dos quase oito mil metros quadrados do pavilhão, foi construído um prédio novo vizinho ao antigo, destinado a sediar os gabinetes das secretarias de cultura e de educação. Com suas fachadas envidraçadas e de formato elíptico, o novo edifício tem uma linguagem contemporânea.

Enquanto o edifício antigo posiciona-se paralelamente à rua, o novo situa-se no sentido perpendicular. Todas essas características do prédio novo foram planejadas pelo arquiteto com o objetivo de estabelecer um contraponto com o antigo pavilhão, num diálogo que o próprio Othake chama de “convergência entre o antigo e o contemporâneo”.

Foi realizada ainda, na outra extremidade e acoplada ao edifício original, a construção de uma parte nova a fim de abrigar um teatro. Essa intervenção na antiga estrutura é demarcada pela pintura preta em sua caixa externa.

Hoje o Centro Municipal de Educação Adamastor abriga, além do teatro, uma biblioteca, um cineclube, quatro salas de aula, um pátio para eventos, três auditórios, um espaço para exposições e uma sala de memórias. Além de receber diversas palestras, exposições e apresentações artísticas para o público em geral, promove diversos cursos e oficinas visando o aprimoramento dos educadores da rede municipal de ensino. Tornou-se, portanto, não apenas um patrimônio histórico, mas também uma referência cultural e educacional da cidade de Guarulhos.

27-10-2016
Adamastor, Centro Cultural, Chaminé, Guarulhos, Patrimônio Tombado

Adamastor: de fábrica de casimiras se transformou em centro cultural

Sediada na Avenida Monteiro Lobato, nº 690, Macedo, próxima à rodovia Presidente Dutra, a antiga fábrica de Casimiras Adamastor, atualmente um centro educacional e cultural, foi à primeira indústria de grande porte da cidade de Guarulhos. A tecelagem foi responsável por produzir, segundo alguns relatos, um dos melhores tecidos vendidos no país. Além de estar na memória da população local, seu edifício é hoje o último importante documento arquitetônico do início do processo de industrialização do município.