O Galpão, uma luta dos moradores para a melhoria do Jardim Tranquilidade

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O Galpão, uma luta dos moradores para a melhoria do Jardim Tranquilidade

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História dos bairros

Na década de 1950 o bairro do Jardim tranquilidade precisava de várias melhorias, naquela época o bairro não possuía luz elétrica. No trajeto do trem que ia para São Paulo os moradores foram se conhecendo, Job e Zuza decidiram se reunir à noite com algumas pessoas interessadas em discutir os problemas do bairro.

As reuniões eram realizadas uma vez em cada casa, então se formou uma comissão que logo conseguiu a autorização do prefeito para construir uma sede da associação amigos do bairro que ficava ao lado da praça de esportes “Grêmio Esportivo Tranquilidade”.

Com dinheiro da mensalidade de sócios, ajuda de comerciantes foi comprado o material necessário para levantar um galpão. Fundadores e outros moradores trabalhavam na construção aos domingos, as mulheres ficavam encarregadas de fazerem a refeição para os trabalhadores.

No dia da inauguração da sociedade foi feita uma feijoada para 200 pessoas, mas compareceram quase 400. No dia 10 de fevereiro de 1952, com sede na rua Manoel Quintão, 219, foi fundada a Sociedade Beneficente Amigos de Tranquilidade, o distintivo da sociedade representando um aperto de mão simbolizava a união entre os moradores do Jardim Tranquilidade e dos bairros vizinhos. Todos os sócios contribuíam obrigatoriamente para os cofres da sociedade em média com a quantia de Cr$20,00 mensais.

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Galpão, local de encontro dos moradores do bairro. Acervo: Samba do Sino.

Inicialmente a sociedade conseguiu uma luz elétrica muito fraca igual à de uma lamparina a partir da meia-noite ficava mais forte. Na instalação os próprios moradores ajudaram a esticar os fios em postes de madeira doados, só tinha um relógio que ficava na avenida Emílio Ribas, cada casa pagou para a Light o valor de Cr$300,00. Foi encenada uma peça no galpão para mostrar o trabalho da instalação da luz elétrica, a luz definitiva só veio com a eleição da deputada Tereza Delta em 1953, na época a deputada era funcionária da Light.

Além da luz elétrica, os membros da sociedade conseguiram linhas de ônibus para o bairro falaram com Fioravante Lervolino, prefeito na época, e até com o governador Lucas Nogueira Garcês.

Na sede o galpão como era chamado funcionava um posto de saúde, um parque infantil com vários brinquedos cujo uniforme era um calção na cor vermelha.

O galpão tinha diversas atividades artísticas, cinema, teatro, shows, eventos sociais como bailes, eleição de rainha, aos domingos tinham sessões de cinema alguns filmes como Flash Gordon, o Gordo e o Magro e o Conde de Monte cristo foram exibidos.

Na década de 1970, a sociedade já tinha conseguido várias coisas para o bairro e foi chegando ao fim para dar lugar a uma nova fase do bairro, a sociedade encerrou as suas atividades com apenas 38 sócios, o galpão foi demolido dando lugar para a construção da Igreja Nossa Senhora de Fátima.

Diogo Leite de Carvalho
Diogo Leite de Carvalho
É poeta autor dos livros Gritos poéticos e Poesias Cotidianas,estudante de história. cofundador da AAPAH.

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