Infância e educação no Cecap

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Infância e educação no Cecap

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História do Cecap

Trataremos no artigo de hoje uma parte das reminiscências da infância e da educação no Parque Cecap, destacando o Clube de Mães, antiga creche do bairro.

Pensar a Educação nos anos 1970 e início dos 1980 é algo complexo, já que as concepções educacionais são bem diferentes das que temos hoje. Por exemplo, o oferecimento do antigo pré-primário em instituições públicas como dever do Estado só irá aparecer na Constituição de 1988.

As creches eram responsabilidade da Secretaria de Assistência Social e não da Educação, por isso, difíceis de conseguir. Somente em 1988, com a Constituição, esse problema começa a ser superado.

Os primeiros moradores do Cecap contavam que no início a maior parte das famílias eram formadas por jovens casais, com filhos pequenos ou mulheres ainda grávidas. Assim, a questão da creche para os filhos sempre foi uma importante reivindicação dos moradores do Cecap, principalmente das mães trabalhadoras. O compromisso original do projeto era dotar os condomínios de escolas para os filhos dos moradores. Escolas para todas as faixas etárias. O cumprimento dessa obrigação teve alguns percalços quando da estruturação do Cecap e exigiu um acompanhamento dos pais e a cobrança para que o estado e o município pudessem mobilizar recursos para esse fim. Na falta, algumas improvisações tomaram corpo.

Trataremos no artigo de hoje uma parte das reminiscências da infância e da educação no Parque Cecap, destacando o Clube de Mães, antiga creche do bairro.

Alunos na horta da Escola Francisco Antunes Filho, o famoso Chicão.

Uma das mais interessantes foi a escolinha que funcionava num dos apartamentos do condomínio Paraná, nos anos 1970. Com muitos apartamentos ainda vazios, não foi coincidência que uma família de professores criasse uma escola que ficasse com as crianças durante o dia.

Após histórico de reivindicações das mães, as inutilizadas salas da então Secretaria de Promoção Social, no Centro Comunitário, passaram a ser usadas como sala de aula para crianças com idade entre três e cinco anos e meio. Era o início do Clube de Mães.

A reunião de fundação contou com a presença de cerca de 300 mães que, além de oficializar a abertura da escola, elegeram a Diretoria e o Conselho Fiscal. Nessa reunião também se decidiu qual a melhor forma de manter o Clube.

Uma das premissas do Clube no início era não ter fins lucrativos, de forma que todos eram voluntários. Para arrecadar fundos que permitissem a manutenção do espaço, as mães envolvidas organizavam festas, chás, almoços e jantares cuja arrecadação era revertida para melhoria da escola. A Prefeitura cedia as professoras e a merendeira. Os demais, da Diretoria aos funcionários, eram todos voluntários, evidenciando o caráter comunitário da iniciativa. Segundo uma moradora: era um espaço que as mulheres e a comunidade poderiam utilizar. O espaço deveria atender mais às mulheres especificamente pelo fato de ser uma necessidade delas como donas de casa de ter atividades, de fazer inclusive cursos pra gerar renda, a gente fazia isso lá, muitas não tinham formação. Tinha coisas para os jovens e para as crianças também. Coisas para os jovens e crianças para que as mães deixassem seus filhos e elas tivessem as suas próprias atividades.

Além do aspecto educacional para crianças e jovens, houve uma preocupação em refletir o papel da mulher na sociedade da época. Seja com cursos ou palestras, o Clube de Mães foi um movimento que permitiu à mulher uma vida realmente participativa na comunidade, além de atuar no desenvolvimento profissional, tirando-as do ambiente apenas doméstico para ampliar a condição de sujeitas sociais.

Em 2010, após 29 anos de atividade, o Clube de Mães fechou suas portas. Ao que se sabe, houve uma denúncia sobre o caráter particular que a escola teria assumido com a cobrança das mensalidades. Por estar num terreno estadual, a instituição não poderia ter fins lucrativos, por isso o fechamento.

Os moradores que presenciaram anos de atividade do Clube de Mães, receberam o fechamento com pesar. Sobraram os vínculos de amizades, as lembranças das festas e a certeza da importância daquela ação na formação de mães e das crianças que ali passaram.

Tiago Cavalcante Guerra
Tiago Cavalcante Guerra
Historiador, diretor geral da AAPAH, coautor dos livros “Cecap Guarulhos – Histórias, Identidades e Memórias”, “Guia Histórico Cultural de Logradouros – Lugares e Memórias de Guarulhos” e “Signos e Significados em Guarulhos – Identidade – Urbanização – Exclusão”.

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