O patrimônio, a cidade e a cidadania

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O patrimônio, a cidade e a cidadania

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Patrimônio Cultural

Somos parte de uma das cidades mais antigas do país e muito pouco da sua história sabemos, não acredito que seja apenas por falha na educação escolar tradicional, que ao meu ver nunca daria conta de sozinha construir em nós o espírito de cidadania e zelo para com os patrimônios públicos, culturais, ambientais, históricos e tudo que está inserido dentro do que reconhecemos como cidade.

Os anos na educação, lecionando História, me fizeram compreender que a maior parte do conhecimento que adquirimos ao longo da vida não é o que acumulamos numa sala de aula, esse é um conhecimento complementar, importantíssimo, mas pequeno diante da experiência e das relações do dia a dia. Convivemos diariamente dentro de locais, públicos, privados, históricos, culturais e damos nomes a eles e outros nomes aos espaços maiores que abrange o todo ou parte desses locais (são os bairros, vilas, cidades, etc).

Você e eu, cidadãos guarulhenses, moramos numa cidade fundada por padres Jesuítas em 1560, todavia, apenas nos anos 2000, na gestão do prefeito Jovino, houve a primeira iniciativa de proteção legal de alguns bens em Guarulhos, é o Decreto Lei 21.143. Hoje são 16 bens tombados, mas dentre eles, o patrimônio que é símbolo popular do que seria o conceito da palavra patrimônio é o casarão do prefeito José Maurício, situado na rua 7 de setembro, a casa que já foi Secretaria de Obras, posto de alistamento militar, museu e hoje está em estado de abandono, causa revolta na maioria dos munícipes, a ponto de se criar grupos em redes sociais para lutar pelo restauro e conservação do imóvel, acho isso bom, ótimo, mas precisamos de mais bens assim, que represente mais a coletividade e a juventude que nunca viu essa casa ativa.

Penso que se houvesse uma preocupação política, econômica e turística em contar a história da cidade a partir da própria cidade, teríamos outro olhar, outro sentimento, um orgulho e uma satisfação de conhecer, contar e lutar pelo patrimônio, que deve ser parte de um coletivo que vive, sente e anseia coisas em comum.

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Vale lembrar que é a França, pós revolução francesa, que criou uma política patrimonial ainda no século XVIII e XIX, os franceses são os primeiros a compreender, no Estado Moderno, que um povo pode construir em massa o espírito de identidade nacional a partir da influência de símbolos, como hinos nacionais, a arquitetura, história, e educação, se fosse hoje poderíamos incluir as seleções de futebol.

Guarulhos ainda é uma cidade dormitório, leiloada como a cidade de um futuro que nunca chega, hoje não estamos mais no século XIX e superamos a ideia de tombar só edifícios que é referência arquitetônica e estética, tombamos também terreiros, festas populares, danças, como o frevo. Mas então que esperar do amanhã na nossa cidade? Creio que vou manter otimismo e fé na juventude que ocupam as ruas com movimentos artísticos, culturais e criam novas conexões com a cidade, o patrimônio é muito mais que um bem físico, ele também pode ser dinâmico e transcender rótulos e os conceitos que damos.

Ellen Taís Santana
Ellen Taís Santana
Historiadora, diretora financeira da AAPAH, coautora do livro “Signos e Significados em Guarulhos: identidade, urbanização e exclusão”.

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