A urbanização e os reflexos da desigualdade no saneamento básico

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A urbanização e os reflexos da desigualdade no saneamento básico

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Saneamento Básico

A urbanização da sociedade aconteceu de forma desigual em todo mundo. Diferente dos países “centrais”, o processo de colonização nos países periféricos fez com que a urbanização brasileira ocorressem sem “planejamento”, no que tange os aspectos ambientais urbanos, como também o bem estar humano, ao ponto que as grandes cidades em decorrência a uma colonização de exploração sempre foram vistas a priori como lócus de reprodução de valores produtivos e por fim do espaço de reprodução do capital apenas.

Segundo estudos recentes realizado pelo instituto data Brasil, Guarulhos está entre as 10 piores cidades do País no tratamento de esgoto, em levantamento feito com as 100 maiores cidades do País.

A maneira em que a urbanização acelerada que a cidade assistiu principalmente em sua explosão demográfica assistida especialmente nas décadas de 1970 e 1980, fizeram com que as políticas públicas de saneamento sempre estivessem passos atrás na corrida para contemplar cem por cento do esgoto da população Guarulhense.

Obviamente esse quadro não é um triste privilégio de nossa cidade, mas a de se refletir de que forma a cidade que ocupa o 13º lugar no ranking das cidades mais ricas do País, tem que caminhar com índices que tão ruins em algo tão básico, parafraseando o trocadilho com saneamento básico.

De que forma a óptica do lucro sobre o lucro, se reproduzindo no palco da aldeia urbana, contribuíram, e ainda contribui constantemente para esse quadro tão desfavorável.

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                                        Rio Cabuçu, região da Vila Galvão. Ano: 2010. Acervo: AAPAH/Bruno Leite de Carvalho.

Os dilemas e questões urbanas estão a passos mais acelerados do que talvez as políticas públicas podem acompanhá-los, cabendo a atual gestão ações que de fato diminuam essa disparidade rumo ao caminho de acabá-las . No caminho na qual nossos mananciais sejam mananciais de fato e que se supere a visão apenas racionalista do lucro, tendo em vista a obviedade de querer tratar nosso esgoto é um investimento em bem estar e por fim qualidade de vida. Não obstante que esse investimento se reflete na saúde pública.

Nesse sentido os habitantes de Guarulhos, os protagonistas do cotidiano, possam não só se orgulhar do lugar onde vivem, mas também assistir um avanço de mentalidade nas novas gestões na qual encaram a cidade como um ecossistema único, plural culturalmente e ao mesmo tempo integrador, e que por fim isso se reflita em suas ações de políticas públicas e sociais.

Lionel Fontanesi
Lionel Fontanesi
Professor de Geografia da rede publica e privada, membro do Núcleo de Estudos Urbanos da AAPAH. Pesquisador de Geografia local com formação em políticas publicas urbanas pelo instituto Capacidades.

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