Castelo Hanssen e suas primeiras inspirações

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Castelo Hanssen e suas primeiras inspirações

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Poesia e história

Aristides Castelo Hanssen nasceu em 03/09/1941, no bairro do Paraíso, em São Paulo. O sobrenome Hanssen é de origem dinamarquesa, herança paterna. Já o Castelo herdou da sua mãe que era filha de espanhol, a grafia correto era Castels.

As primeiras lembranças do pequeno Aristides são do bairro da Vila Augusta, em Guarulhos. Ele morava numa chácara, na beira da linha do trem, aproximadamente onde fica a FURP, atualmente. O futuro poeta ficava aguardando ouvir o apito para ver a máquina passar.

Aos 12 anos de idade, Castelo Hanssen morava com a família no município de Mauá, nessa idade começaram a surgir os primeiros textos e poesias. As primeiras inspirações para os versos foram as ilustrações das folhinhas de calendário, uma das primeiras criações foi inspirada na imagem de um jangadeiro. A primeira leitora foi a própria mãe, no início era a única a ler os escritos do tímido escritor.

Segundo Castelo, quando ele estava próximo dos dezoito anos de idade, tentou a chance de escrever profissionalmente no jornal Ação da cidade de Santo André, assim foi até a redação do periódico. O responsável pelo jornal pediu para ele escrever uma crônica, o poeta digitou o texto na máquina de escrever do seu pai e voltou para entregar, assim foi primeira vez que seus escritos se tornaram públicos.

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O poeta Castelo Hanssen, durante uma entrevista de história oral, na Casa dos Cordéis. Ano: 2009. Acervo: AAPAH/Bruno Leite de Carvalho.

Já as poesias começaram a ser publicadas mais tarde, quando um amigo do pai de Castelo apoiou a publicação dos versos no jornal “A Voz de Mauá”. Nesta mesma época, a prefeitura da cidade organizou o concurso intitulado “Encontro dos Poetas de Mauá”, Hanssen ficou em quarto lugar com a poesia “Marginal”, a classificação entre o melhores foi motivo para continuar a sua jornada de escritor.

Quando ocorreu o golpe de 1964, a raiva com o rompimento da democracia fez com que o escritor se tornasse um militante da esquerda, mesmo o próprio poeta se descrevendo como de “natureza conservadora, embora rebelde”. Seu irmão Olavo Hanssen pertencia ao Partido Operário Revolucionário, assim Castelo também entrou para o grupo de formação trotskista, sua missão era fazer pequenas ações, como entregar os manifestos nas ruas. Olavo foi morto pela ditadura militar. Castelo chegou a ser preso, mas não foi torturado.

O momento sombrio serviu de inspiração, a poesia “José” é uma das mais marcantes e mais solicitadas nos saraus, porém o autor atualmente não gosta dos versos que foram inspirados em um companheiro de trabalho que vivia de “ilusão”. Naquele momento, parte da esquerda não aceitava as pessoas praticantes de coisas “menores”, como o futebol. Um dos versos diz assim:

José,

Magrinho, jovem, sonhador,

Namora uma garota debilóide, assiste bang bang,

Vai á missa e reza pro seu time a vida inteira,

Sonha com carros e com aventuras,

Curte um sonzinho, dança agarradinho,

Conta mentira na segunda-feira.

 

Este artigo se refere à juventude do poeta Castelo Hanssen, não vamos entrar na fase de volta para Guarulhos, quando veio para trabalhar como jornalista. Também não citaremos as modificações temáticas de suas criações, pois servirão para textos futuros.

Castelo continua na ativa, há alguns dias, fraturou o fêmur em um acidente doméstico, mesmo ainda no leito de um hospital continua otimista e promete que estará presente no lançamento do seu novo livro. A obra feita, em parceira com a professora Guilhermina Helfstein, será lançada em 08 de julho, no Espaço Novo Mundo. O título é “Guarulhos Trajetória Cultural”.

 

Bruno Leite de Carvalho
Bruno Leite de Carvalho
Jornalista, responsável pela assessoria de comunicação da AAPAH, coautor dos livros “Guia Histórico Cultural de Logradouros – Lugares e Memórias de Guarulhos” e “Signos e Significados em Guarulhos: Identidade – Urbanização – Exclusão”.

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