Vila Maria Zélia foi a primeira vila operária do Brasil

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Vila Maria Zélia foi a primeira vila operária do Brasil

Construída entre os anos de 1912 e 1917, a vila chegou a ter mais 2100 moradores

por Bruno Leite de Carvalho

Maria Zélia era o nome da filha mais velha do casal Jorge Street  e Zélia Street, a menina morreu de tuberculose em 1915, assim seu pai que além de industrial, também era médico, homenageou-a quando fundou em 1917, a primeira vila operária do Brasil, que abrigaria os funcionários da Cia Nacional de Tecidos da Juta.

Para contar a história dessa pioneira construção, o Instituto Memórias do Brasil organizou uma palestra tour pela Vila Maria Zélia, o evento fez parte da agenda da Primeira Jornada do Patrimônio de São Paulo.

Localizada no Belenzinho, em São Paulo, a Vila Maria Zélia preserva costumes esquecidos na metrópole, por exemplo, fazer a leitura do jornal no banco da praça, conversar com os vizinhos embaixo da sombra de uma árvore.

O seo Dedé, por exemplo, mora na mesma casa onde nasceu, ele se orgulha de ser portador da história viva do local. O fato de participar de palestras e defender a conservação do patrimônio local é um orgulho.

A maioria das casas sofreu modificações arquitetônicas, mesmo com os tombamentos nas esferas municipal e estadual, a lei não inibe as transformações na vila. Os prédios públicos aparentemente não sofreram alterações, mas também não tiveram o mínimo de zelo pelo INSS, seu proprietário.

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As escolas que muitos chamam de gêmeas, pois foram construídas como um espelho, uma de frente para a outra com os mesmos elementos, estão em ruínas. Os prédios são caracterizados por abundante simetria em suas composições, as construções de toda a vila seguem essa tendência projetada pelo arquiteto Paul Pedraurrieux.

Para quem pensa que todas as casas são iguais se engana, a casa do antigo administrador da vila é diferente de todas as outras, há as moradias no estilo chalé, há as casas dos operários que eram solteiros, há outros moldes maiores ou menores.

A Vila Maria Zélia é mais um exemplo que o tombamento sem estratégias de conservação e ocupação não é uma ferramenta eficaz. A Primeira Jornada do Patrimônio de São Paulo contribuiu para a ocupação destes espaços, afinal o patrimônio cultural é de todos e para todos, esses bens não devem ser visitados apenas por especialistas e estudantes, mas devem servir para fruição de cidadãos.

 

 

Bruno Leite de Carvalho
Bruno Leite de Carvalho
Jornalista, responsável pela assessoria de comunicação da AAPAH, coautor dos livros “Guia Histórico Cultural de Logradouros – Lugares e Memórias de Guarulhos” e “Signos e Significados em Guarulhos: Identidade – Urbanização – Exclusão”.

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