Guarulhos colonial

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Guarulhos colonial

Guarulhos antiga

Guarulhos foi um dos primeiros aldeamentos da região que foi conhecida como Vila de São Paulo. Muito próximo do caminho que levava ao Rio de Janeiro (a Estrada Geral), essa situação privilegiada permitiu que o Aldeamento Nossa Senhora de Conceição dos Guarulhos logo fosse habitada por jesuítas e frequentada pelos nativos da terra.

Da existência dos Maromomis quase nada permaneceu, a não ser esparsos relatos seiscentistas que falavam da sua relação com os colonizadores portugueses e outros indígenas. O nome Guarulhos advém de outro povo indígena com presença nômade nesta região. Uma semelhança física e cultural com os índios Guarulhos, que frequentavam todo o Vale do Paraíba, levou os Maromomis a serem denominados de Guarulhos.

Nossos primeiros habitantes, que sabemos muito pouco, eram conhecidos pela semelhança física com outro grupo indígena, atribuído pelo colonizador. Isto leva a pensar que de maneira irônica, os habitantes de Guarulhos estavam sempre destinados a deixar esta terra e sempre a ter o seu reconhecimento no outro.

A história colonial de Guarulhos não é uma história jesuítica e portuguesa, tampouco bandeirante. É uma história essencialmente indígena que se encontra completamente esquecida, pois pouco foi pesquisado. Em alguns momentos não foi interessante ser contada.

Diferente da colonização no Nordeste, feita na região litorânea e que tinha sua produção voltada para o exterior, o povoamento do planalto paulista se deu no interior. Isso propiciou o isolamento e o desenvolvimento do comércio interno.

Catedral de Nossa Senhora da Conceição, sem data. Acervo: Arquivo Histórico de Guarulhos.

Catedral de Nossa Senhora da Conceição, sem data. Acervo: Arquivo Histórico de Guarulhos.

Os paulistas se especializaram na caça aos índios para vendê-los no mercado interno, contribuindo para a expansão das fronteiras, mas restringindo seus interesses e seus contatos ao território brasileiro. Essa restrição permitiu a miscigenação de culturas (a do colono com a do indígena), nem sempre amistosa e nem sempre cordial.

O nomadismo dos grupos indígenas no Planalto Paulista permite aventar a existência de uma permanente entrada e saída de índios no território do Aldeamento de Conceição dos Guarulhos. As toponímias indígenas existentes em territórios próximos ao de Guarulhos (Guaianazes, Itaquera, Tatuapé,…) e as resistentes no próprio município, como – Cumbica, Paraventi e Itapegica – nos permitem crer que o local era imerso na cultura nativa, assim como a capital.

O trânsito era permanente, a ponto de cronistas se surpreenderam com o abandono que se encontrava o aldeamento dos guarus no século XVII. Outro dado importante sobre a São Paulo indígena é a criação do Diretório, a partir de 1758, com o objetivo de tornar a língua portuguesa como oficial na Vila de São Paulo e nos seus aldeamentos, em virtude do costumeiro uso da língua geral, uma mistura de línguas indígenas com a dos colonos (espanhol e português).

Aqui esbarramos em outra questão da história de Guarulhos. A importância do Ouro, longe de ter se constituído numa existência para o que conhecemos da cidade, ela se materializou principalmente numa região equidistante do núcleo central da Vila de Conceição dos Guarulhos: Bonsucesso. Abrindo estradas e caminhos que levassem as Lavras, o núcleo de Bonsucesso se tornou um espaço autônomo em relação ao núcleo do Aldeamento de Conceição.

Ainda que existente e deixando marcas indeléveis no território guarulhense, como os resquícios de veio de ouro relatado nos anos 50, a produção aurífera foi ínfima e pouco relevante para o conjunto social da época, essencialmente autóctone.

Texto originalmente publico na Revista É:

http://www.revistae.com.br/

Tiago Cavalcante Guerra
Tiago Cavalcante Guerra
Historiador, diretor geral da AAPAH, coautor dos livros “Cecap Guarulhos – Histórias, Identidades e Memórias”, “Guia Histórico Cultural de Logradouros – Lugares e Memórias de Guarulhos” e “Signos e Significados em Guarulhos – Identidade – Urbanização – Exclusão”.

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