A Barragem Cabuçu, a primeira obra de concreto armado no Brasil

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História de Guarulhos

A questão da água em São Paulo é problemática. As principais bacias que abastecem a região metropolitana, o Sistema Cantareira, juntamente com o Alto Tietê, estão próximo de um colapso.

Numa época em que havia também problema de abastecimento e antes do Sistema Cantareira, foi construída o sistema Cabuçu, que aglutinaria as represas do Cabuçu, Barrocada (1910) e Engordador (1872).

A obra foi iniciada em 1905 e coordenada pelo engenheiro Luis Betin Paes Leme. A técnica utilizada era o concreto armado que consistia no uso de barras de aço na armação interior. No início do século XX, poucas construções utilizavam essa técnica. Segundo o Engenheiro Plínio Tomaz “A Barragem, adutora, condutos livres, condutos forçados, etc, foram construídos em concreto”.

Todo o material era importado da Inglaterra e levado de carro de boi até o Cabuçu. Em regime de urgência, a obra foi concluída em 1907. A barragem tinha 15 metros de altura e 50 metros de comprimento. O aqueduto de abastecimento tinha 1,20 de diâmetro com 16,6 quilômetros de comprimento reforçado para aguentar a pressão da água.

Finalmente, em 1908 a obra foi finalizada. Ainda hoje é considerada a primeira grande obra de concreto armado no Brasil.

Durante alguns anos Guarulhos foi abastecido por completo pelo Sistema Cabuçu. Havia um sistema de cloração na Estação Elevatória de Vila Galvão localizado junto ao Lago dos Patos e depois havia bombeamento para o reservatório central de Gopoúva e do Picanço.

Em 1929 Guarulhos abriu mão da represa que passou a integrar o Sistema Cantareira antigo, abastecendo vários bairros da capital até 1970, quando foi aposentado.

Em 1969, a barragem do Cabuçu praticamente secou. O engenheiro Luiz Nelson Peppe de Uberaba medindo os quatro metros que ficavam submersos na época de chuva. Fonte: Cronologia da Água em Guarulhos, autor Plínio Tomaz.

Em 1969, a barragem do Cabuçu praticamente secou. O engenheiro Luiz Nelson Peppe de Uberaba medindo os quatro metros que ficavam submersos na época de chuva. Fonte: Cronologia da Água em Guarulhos, autor Plínio Tomaz.

O espaço foi revitalizado em 2002 numa parceria entre prefeitura e estado, recebendo o nome de Núcleo Engordador pertencendo ao Parque Estadual da Cantareira, auxiliando na proteção dos mananciais, realizando ações de educação ambiental e na preservação da maior floresta nativa da região.

Hoje administrada pelo SAAE, a represa do Cabuçu serve em parte para o abastecimento dos guarulhenses e para a preservação da floresta nativa e de vários animais.

Artigo publicado originalmente no Semanário Ótimo:

Tiago Cavalcante Guerra
Tiago Cavalcante Guerra
Historiador, diretor geral da AAPAH, coautor dos livros “Cecap Guarulhos – Histórias, Identidades e Memórias”, “Guia Histórico Cultural de Logradouros – Lugares e Memórias de Guarulhos” e “Signos e Significados em Guarulhos – Identidade – Urbanização – Exclusão”.

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