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Juventude do Cecap dá exemplo de cidadania

Bairros

O Parque Cecap é mais um dos bairros de Guarulhos com um vasto histórico de lutas e de algumas conquistas: Clube de Mães, centro comercial, grupo escolar, linhas de ônibus, clube recreativo, praças e etc. Os mais antigos sabem que do planejamento, ou melhor, do projeto CECAP (Caixa Estadual de Casas e Apartamentos Populares), pouco ou quase nada se concretizou, cabendo aos moradores se unirem e lutarem para dia após dia equiparem a região.

O que tem chamado atenção é a mobilização dos jovens para assegurar espaços que conservem a identidade do bairro. Um exemplo recente foi a insistente pressão de uma parcela de moradores e proprietários de trailers para a revogação da reintegração de posse da CDHU da área que abrange os trailers, pelo o que informaram, esse local estaria sendo cotado para o projeto do Parque Vila Nova Artigas – já em construção. Os moradores conseguiram negociar soluções com os gestores públicos.

Agora, o engajamento da juventude é com Biblioteca Comunitária do Parque Cecap, que quase perdeu seu espaço para o Batalhão da Polícia Militar – preocupada em reforçar a “segurança” – e, pelo fato dos agentes públicos chegarem a considerar inativa. O que acontece é que o espaço fundado há quase quatro anos não recebe investimento e não atraia o interesse local.

Coleção de livros da Biblioteca Comunitária do Cecap. Acervo: AAPAH/Ellen Tais Santana

Coleção de livros da Biblioteca Comunitária do Cecap.  Acervo: AAPAH/Ellen Tais Santana

A administradora do espaço doado pela CDHU, Marieta Dutra, mantém a ampla biblioteca com a ajuda de voluntários e iniciativas como o MOVA (alfabetização de adultos), curso de inglês e o ainda bagunçado espaço de leitura, que parece contar com aproximadamente dez mil títulos em parte catalogados e que foram doados por moradores.

Dona Marieta tem pretensões de montar um circo-escola, brinquedoteca, oficinas (como aprendizagem musical) e claro, um agradável espaço de leitura. Ela diz que gradativamente a juventude foi se interessando pela biblioteca, utilizando-a para reuniões, grupos de estudos, na doação de livros e etc., antes disso, era mais frequentada pela terceira idade, que muitas vezes passava lá apenas para bater um papo.

Todavia, o que uniu e incentivou mesmo a participação dos moradores jovens foi a ameaça de o espaço se perder em função de outros interesses e foi a partir daí que começaram as movimentações para levantar, resistir e abraçar as possibilidades culturais da biblioteca. Assim, iniciaram-se os mutirões aos sábados para repaginar o local e quem está pegando no pesado é a juventude do bairro, bem como ativistas de outras regiões da cidade, como Bela Vista e Jardim São Francisco (pessoas com iniciativas análogas e com seus espaços culturais em risco). Para Cátia Rodrigues, que há muito tempo auxilia na administração, “mais uma vez foi a luta que uniu os moradores e estamos chegando ao quinto mutirão”, disse preparando um almoço delicioso para os voluntários.

Para quem ficou interessado em conhecer, participar ou trazer ideias para o espaço é só se juntar aos voluntários que estão na Avenida Odair Santanelli s/n (ao lado do Clube) aos sábados a partir das 9 horas.

Texto originalmente publicado na edição 50 do Semanário Ótimo:

Ellen Taís Santana
Ellen Taís Santana
Historiadora, diretora financeira da AAPAH, coautora do livro “Signos e Significados em Guarulhos: identidade, urbanização e exclusão”.

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