O futebol como representação da imagem da sociedade guarulhense

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O futebol como representação da imagem da sociedade guarulhense

“Futebolando a História” revelou faces que ultrapassam os limites do campo de futebol

O evento “Futebolando a História” ocorrido no dia 14/06/2014, na Casa dos Cordéis, expôs camisas raras do futebol guarulhense e trouxe ex-jogadores que participaram de equipes de futebol e futsal para a roda de história oral. Os ex-jogadores recordaram os antigos jogos da várzea, os antigos campos que existiam pela cidade, a amizade construída por causa do esporte, a falta de apoio do poder público e as conquistas dentro de campo.

O Flamengo teve feitos destacados como os oito anos de conquistas seguidas dentro de Guarulhos. O Golfinho como bicampeão da Copa Arizona. O Vila das Palmeiras como percussor do futebol de salão na nossa cidade. O Wimpro como celeiro de craques dos salão.

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Futebol: elo de amizades

Futebol: elo de amizades

Algumas revelações chamaram atenção, como o fato contado pelo ex-jogador Alemão. Quando o Golfinho foi para o Chile disputar a final da Copa Arizona, todos os gastos foram bancados pelos patrocinadores do campeonato. A Prefeitura de Guarulhos não tinha ajudado com nenhum recurso, porém, antes do embarque, foram oferecidos agasalhos para a delegação. Após a volta para solo guarulhense com o troféu, os campeões tiveram direito à carro de bombeiro, mas os agasalhos precisaram ser devolvidos.

Outro fato para chamar atenção foi o relato sobre o convite feito pela Federação Paulista de Futebol. Os times de Guarulhos deveriam criar uma espécie de seleção municipal para jogar os campeonatos estaduais de São Paulo. Porém, o egoísmo dos dirigentes impediu a criação do time, pois, nenhum dos diretores das equipes da cidade abriu mão de ser o presidente do representante profissional que a cidade deveria ter.

Dois assuntos foram discutidos com afinco – o desaparecimento dos campos de várzea e a falta de apoio ao esporte.

DSC09791[1]Os futebolistas presentes não tiveram dúvida em afirmar que o desaparecimento dos campos de várzea deixou o futebol na mão do poder público. Os campos de terra proporcionavam com facilidade a organização das partidas sem compromisso, bastava uma bola e uma molecada para correr atrás. Pronto, o jogo começava. A falta de ofertas de terrenos para campos de várzeas levou os jovens para outros afazeres.

O professor de educação física Abel falou sobre o projeto Pró-Jovem, iniciativa que a Prefeitura de Guarulhos tinha nos anos de 1980, devido ao projeto, muitos jogadores surgiram como o Zé Elias, André Santos, Edu e Rubinho (jogadores do Corinthians e da Seleção Brasileira, entre outros times). O poder público fazia a organização do campeonato e pagava os árbitros, a organização dos times dependia dos profissionais de educação física e dos amantes do esporte. Havia uma gestão precária, mas existia o foco que era o campeonato, atualmente não há nada com visibilidade feito pela Secretaria de Esportes, Recreação e Lazer de Guarulhos.

O encontro com os ex-jogadores e a exposição cumpriu o papel de aproximar a relação entre os habitantes e a história local. O futebol foi discutido como um fator cultural de relacionamento tradicional na cultura brasileira seja nas brincadeiras por causa da rivalidade, na relação de cumplicidade só possível em esportes coletivos, na representação social criada entre jogadores, torcedores, comerciantes, dirigentes, árbitros e poder público. Os fatos que rodeiam o futebol dizem muito quem é a sociedade brasileira.

Bruno Leite de Carvalho
Bruno Leite de Carvalho
Jornalista, responsável pela assessoria de comunicação da AAPAH, coautor dos livros “Guia Histórico Cultural de Logradouros – Lugares e Memórias de Guarulhos” e “Signos e Significados em Guarulhos: Identidade – Urbanização – Exclusão”.

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